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Poupar 30% da renda é receita mais indicada

Poupar 30% da renda é receita mais
indicada.

O alcance de objetivos de longo prazo está intimamente relacionado à capacidade de planejamento financeiro e à fuga do endividamento em qualquer fase da vida. "As finanças têm dois lados: pagar e receber juros. Quem quer ter vida próspera deve
ficar do lado de quem recebe", resume o consultor financeiro Mauro Calil. Segundo ele, ao contrário de mercados como os Estados Unidos, cujo crédito é remunerado com índices de 4% a 5% ao ano, o endividamento deve ser evitado ao máximo no Brasil, onde
os juros mensais chegam ao mesmo patamar e as margens de rentabilidade via de regra são apertadas.
A sugestão é que o financiamento por terceiros seja trocado pelo autofinanciamento, seguindo a regra de viver com 70% da renda líquida e aplicar 30%. Calil dá exemplos. Quem quer comprar um carro, pode juntar o montante necessário e comprar à vista para receber juros ao invés de pagá-los. No caso de um bem como um imóvel, sugere alternativas como os consórcios. "Em 15 anos de financiamento imobiliário, paga-se 2,5 vezes o valor do imóvel. Com o consórcio, o aumento é de 20%", compara. Lances oriundos da venda de carro e do 13º salário podem driblar a espera pelo sorteio.
O mesmo raciocínio poupador vale para as despesas com filhos. Segundo o especialista, aportes regulares de 2% a 5% da renda familiar em nome do filho - um fundo de ações que reverta dividendos a serem reaplicados - são suficientes para "aposentá-lo" aos
15 anos de idade. Para o consultor Reinaldo Domingos, o primeiro passo do bom planejamento é o diagnóstico minucioso por 30 dias, para identificação detalhada de despesas. A partir daí é definido o sonho e as trocas necessárias para atingi-lo, com cortes
de excessos e desperdícios - responsáveis por 20% a 30% dos orçamentos domésticos. "É preciso mudar hábitos, mas fica mais fácil com um objetivo em vista", diz. Liane Michaels, consultora da XMTA Gestão Empresarial, concorda com ele.
"O bom planejamento exige saber o quanto é gasto percentualmente em itens como moradia, alimentação, transporte, saúde, educação, lazer, vestuário", explica. Ela sugere ainda avaliar a cada momento o que está sendo adquirido, checando sua real
necessidade. Segundo o educador financeiro Marcos Silvestre, da Silvestre Educacional, abusar de determinado gasto por seu baixo valor unitário é uma armadilha a ser evitada. Quanto aos gastos mais elevados, é preciso encontrar o equilíbrio na relação
custo-benefício. "Um dos principais erros é acreditar que se pode atingir a prosperidade gastando tudo o que se ganha."
Fonte: Valor Econômico

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